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Um criado de Chesterton escreve...

Um criado de Chesterton escreve...

visto por aí

monge silésio, 23.06.14

 

 

 

 

 

 

“E aqueles que foram vistos a dançar,

foram julgados insanos por aqueles que
não podiam escutar a música”  
Nietzsche

Orações (4)

monge silésio, 03.06.14
O recente acordão do Tribunal Constitucional marca um ponto de rutura que era previsível. Previsível porque se lia nos textos anteriores. A evolução rumo à Maior Rutura.

 

 

Estado Andrógino

monge silésio, 29.05.14
22 de Maio de 2014
José Manuel Moreira


As 120 medidas do Governo para inglês ver e os 80 compromissos do PS para o eleitor não ver, revelam o peso que os europeístas atribuem às eleições do dia 25.

 
José Manuel Moreira
Uma desvalorização bem acompanhada pela descrença do cidadão comum numa UE em crise económica, demográfica, social e política, que, no fundo, é reflexo da desorientação dos europeus: mergulhados numa gravíssima crise moral que vem de longe, e a que não é alheia o descrédito num Estado, que, não estando morto, está em processo de desmistificação.

Com uma abstenção a chegar aos 70%, o resultado ficará deslegitimado e a razão de quem acusa a nomenklatura, que controla o monstro, de detestar a democracia, perderá sentido. Basta dizer que um partido com 30% de votos, nem sequer representará 10% dos eleitores. Não será a indiferença do cidadão comum sinal de que o problema está mesmo no monstro e não na forma mais ou menos democrática do seu controle?


Desmistificação que cresceu com a descoberta de que, afinal, a redistribuição de rendimentos dos mais ricos para os mais pobres, é uma redistribuição de poder do indivíduo para o Estado. Beneficiando a burocracia, a classe política e todos os grupos de interesse instalados.

E que recrudesceu quando o povo sentiu que a redistribuição não tem valor normativo, apenas uma finalidade prática: a compra do consentimento das maiorias que, ingenuamente, pensam ser beneficiadas. Entretanto, o ataque fiscal à propriedade, à família e à poupança, em nome da realização de um ideal de bem-estar que requer abundantes recursos, foi destruindo a vida, a liberdade e a civilização.

Razão tinha Schumpeter: o orçamento, que cresce à custa da sociedade, é o esqueleto despojado de todas as ideologias enganadoras. É que, ao contrário do orçamento de uma família ou empresa, o orçamento do Estado calcula-se a partir dos gastos de que necessita para atender à suas necessidades. Contando-se logo que a imprudência e a demagogia façam o resto: dificultar e impedir, com as suas regulamentações, a iniciativa, a empresa e o futuro.

Descaminhos que, contudo, estão a permitir a cada vez mais pessoas descobrir a diferença entre duas tradições europeias: a genuína, ou romana: antiestatista e republicana, em que o público ou comum - o Governo, a Pátria, ou seja, a terra dos antepassados - pertence aos cidadãos. E a inovadora tradição hobbesiana, grega e estatista, e ainda republicana: no sentido em que os cidadãos pertencem à Cidade, ao Estado.

Uma inovação que do Estado totalitário, que era um tirânico Estado paternal, nos levou ao Estado de bem-estar, que é um tirânico Estado maternal. E agora ao Estado Minotauro, a última figura do Estado: um tirano andrógino. Será que no pós-noite de 25, recuperados do susto do eurofestival, vamos estar em melhores condições de saber se este será o Estado do futuro, o fim do Estado ou só um interregnum?

Poupança e Riqueza: quod vadis?

monge silésio, 29.05.14

1.- Os tiranetes ou candidatos a tiranetes aqui do burgo, mesmo os que se dizem de direita, têm tanto medo do capital que se esquecem dele.

Esquecem-se que este é feito de poupança com impostos baixos. É assim em Singapura, é assim no Canadá, ou na Holanda.

 

2.- É o capital que faz o investimento e este leva às exportações.

Querer isto mais o consumo é como pedir um carro novo...sem rodas.

 

3.-O que o tempo presente tem de interessante é que a aposta consumista, de que depende o modelo de desenvolvimento social-qualquer-coisinha, presente em todos os partidos, chegou ao fim. E isto uma grande fatia da sociedade portuguesa começou a perceber embora retardador e sob lamúria, queixume e insulto.

 

4.- O debate de hoje é saber como o vamos substituir. O que fazer para termos capital, que se consegue com poupança. Este é o debate, a chamada, a que o país não está a responder.

Orações (3)

monge silésio, 20.05.14

 

 

O que os credores pensam não interessa... 

O importante é manter a ilusão que somos senhores do nosso destino. Infelizmente, não o somos há muito, há muitas décadas, mas isso o regime não quer discutir.

Manifestos, reestruturações, propostas (crendices) dos candidatos à Comissão são propaladas vezes sem conta nas feiras, nas praças deste país que nunca se interessou pela coisa pública, a não ser para a cabidela da carreira partidária.

 

O povo continua mais uma vez a não interessar-se ... fala-se da abstenção.

Um erro.

Votar, votar nos desconhecidos candidatos mas nas conhecidas ideias. Seja à Direita, seja à Esquerda, o voto num grupelho partidário que não os-de-sempre é o maior desprezo a esta gente enquistada.

 

Num dos países mais socialistas do planeta...

monge silésio, 28.04.14

...96 vezes a palavra "governo" foi referida num programa generalista económico, em contrapartida num outro canal e num programa generalista económico espanhol a palavra foi referida 33 vezes, e num americano 6 vezes. 

...os inteletuais do quotidiano dizem que o governo é "neoliberal" quando em 40 anos foi o Governo que fez o maior volume monetário de expropriações (cortes de salários) e de impostos, mantendo o motor estatal (escolas, hospitais, subsídios disto e daquilo, pareceres, empresas de transportes etc.).

...abre-se as portas do estabelecimento, mas o licenciamento está para vir...após um tortuoso caminho de pelo menos seis entidades.

...as escolas privadas recebem ...subsídio do Estado.

...alguns setores da saúde estão ao nível da Noruega, um dos países com melhor qualidade de vida comunitária, mas...(deve haver um pote de ouro em Badajoz...dizem)

Orações(2)

monge silésio, 26.04.14

 

O défice de um ano é dívida no ano seguinte. O que foi negociado foi o défice anual e não a percentagem da dívida no PIB.

 

Um direito a uma prestação (saúde, educação, segurança social) pode ser simpático, mas a partir de uma medida faz com que fuja quem a dá (apesar de aparentemente quem a dá estar por detrás de um "guichet" e o dinheiro não ser seu).

orações (1)

monge silésio, 22.04.14

 

 

Os desejos são infinitos, ...os recursos limitados, ...mas alguns juristas imaginam que direitos são desejos. Quando isto acontece há um perigo: o desejo tem um exército...de eleitores.

 

Estamos em défice há mais de 20 anos, ... fechou o fiado em 2011, mas há quem pense que se pode negociar estando em dívida, como se a palavra de quem empresta nada servisse.

 

A despesa ou conserva-se ou aumenta: alguém vê alguma diferença concreta do Estado de 2011 e o de 2014?

 

Portugal é periférico??!! Só o diz quem não percebeu que estamos na 3ª globalização. A primeira foi iniciada por ... Portugal. Basta olhar para um "tablet" para se perceber de onde vieram os componentes e as mãos que os fazem, basta olhar um globo e olhar para o estreito do Panamá ou o Canadá, e por último, basta olhar para um mapa e olhar a China, a Malásia, o Japão, a Índia, Angola, Nigéria, o Chile, Brasil, a Colômbia ... Os mais novos percebem.   

o congresso cds

monge silésio, 13.01.14

 

Como Soromenho Marques escreve (DN, de 12-1-2014)

".... Há vinte anos, o CDS-PP tinha propostas nítidas. Poderia não se gostar, mas era um partido conservador com pensamento próprio. Foi a substância das ideias que levou ao afastamento, em 1992, do seu fundador, Freitas do Amaral, num voto pelo Tratado de Maastricht, que a crise atual revela ter sido mais ditado pela "convicção" do que pela razão. Em 1994, Portas juntava a sua voz na crítica aos riscos para o País da UEM (tal como o fez também o PCP, e vozes atentas como as de João Ferreira do Amaral). Nessa altura, o CDS era um partido sem poder, mas com uma visão para o futuro de Portugal. Numa estranha versão "burguesa" do culto estalinista da personalidade, hoje o CDS é um partido de poder, mas esvaziado de futuro."

 

Concordo e testemunho.

Na madrugada de 21 de Março de 1992, no Hotel Altis, o ambiente estava de cortar à faca.

Ao X Congresso do CDS tinham-se perfilado três candidatos à sucessão de Adriano Moreira: António Lobo Xavier, Basílio Horta e Manuel Monteiro, um jovem com menos de 30 anos. Três ideias substantivas apresentavam-se a votos. Um setor liberal, um setor demo-cristão e por ultimo uma linha conservadora eram as opções.

A maioria dos militantes apostava na vitória de Horta (na altura este monge denominava tal fação de socialismo cristão, sem desprimor, porque era a verdade histórica, não havendo pois incoerência nas vias tomadas por F. do Amaral ou Basílio Horta). Do lado conservador, o combate vinha da Juventude Centrista, onde este monge passeava, e do setor ligado ao jornal "Independente".

Adriano Moreira discursa perante um silêncio monástico.

Manuel Monteiro ganha. Nasce o Partido Popular. 

A Direita aparecia na Democracia representativa após 18 anos de meias-palavras.

 

Num povo maioritariamente confiante num Estado-Dá-Tudo, na inveja de quem tem ou de quem vale, que importará os 4,4% ou o táxi? O combate é para continuar e é a longo prazo.

Os setores da burocracia estatizante europeia expulsarão ano após o cds do Partido Popular Europeu, fiquei radiante na altura, Maastricht (que o tuga cidadão nem sabia o que era...nem se discutia a não ser novela, esmola estatal, maneira de "dar-a-buôlta" e FCP) era combatido com vigor, o Estado Social cavaquista era odiado, em suma, pensava-se, degladiavam-se  projetos de politica, estudava-se argumentava-se ...;

A pacotilha jornalística aqui do burgo enfeudada nos empresários ligados ao poder trataram logo de denominar a "deriva" do cds pela extrema-direita para a iliteracia reinante recear;

 

Portas veio fazer as pazes com a Europa. Ganha o partido. Mas mantinha-se a via conservadora.

Falido o Estado, Portas vira-se para a democracia-cristã mais recetiva no eleitorado parolo e que quer coisinha do Estado e agora amuou.

 

O que vi em Oliveira do Bairro foi o fim de uma era; a linha vencedora navega à vista. É-se demo-cristão quando o Povo roga a Deus pela tormenta, é-se liberal quando os empresários desbastam o capital que não é seu e conservador quando se imagina o país rico.

 

Sem ideia, sem doutrina (a não ser uns clichés)...não se diz futuro.