Terça-feira, 24 de Junho de 2014

 

 

 

 

Tudo por aí são clubes, likes, amigos às dezenas de milhar, paixões mais instantâneas que o caldo Knorr, e contudo, a julgar pelo que vejo, leio, oiço, raramente a dificuldade de existir assoberbou assim a vida de tantos.



publicado por monge silésio às 10:56

 

 

A força com que uma estrada no campo se nos impõe é muito diferente, consoante ela seja percorrida a pé ou sobrevoada de aeroplano. Do

 

mesmo

 

modo, também a força de um texto é diferente, conforme é lido ou copiado.

 

Quem voa, vê apenas como a estrada atravessa a paisagem; para ele, ela desenrola-se segundo as mesmas leis que regem toda a topografia

 

 envolvente. Só quem percorre a estrada a pé sente o seu poder e o modo como ela, a cada curva, faz saltar do terreno plano (que para o

 

 aviador é apenas extensão da planície) objectos distantes, miradouros, clareiras, perspectivas, como a voz do comandante que faz avançar

 

soldados na frente de batalha.

 

Do mesmo modo, só quando copiado o texto comanda a alma de quem dele se ocupa, enquanto o mero leitor nunca chega a conhecer as novas

 

 vistas do seu interior, que o texto -essa estrada que atravessa a floresta virgem, cada vez mais densa, da interioridade- vai abrindo: porque o

 

 leitor segue docilmente o movimento do seu eu nos livres espaços aéreos da fantasia, ao passo que o copista se deixa comandar por ele. A arte

 

 chinesa de copiar livros era garantia, incomparável, de uma cultura literária, e a cópia uma chave dos enigmas da China.

 

..."WALTER BENJAMIM, Imagens de Pensamento, Assírio & Alvim, 2004, p. 14.



publicado por monge silésio às 10:44

 

 

 
 
Torna-se difícil racionalizar o desamor. A tomada de consciência do desamor pode ser brutal; porém, seria tolo pensar que deixamos de gostar brutalmente.
 Há, sim, um esvaziamento insidioso e silencioso, que mal se revela, mas explode subitamente. Há quem fuja psicologicamente do terrível momento em que se exige lavrar o atestado de morte da auto-representação que cada qual foi construindo.
 
Estes rituais de morte e passagem para uma nova vida não deviam ser fonte de incómodo e mal estar, mas de alívio e apaziguamento.
 Não é, pois, necessário recorrermos ao Yi Jing para explicar a mudança do mundo político europeu. Aconteceu, mas estava a acontecer há muito, sem que a generalidade disso se tivesse apercebido. No passado domingo, acordaram subitamente. Ora, deviam ter sido mais sensíveis e ter prestado mais atenção à intuição que à razão.

 

 



publicado por monge silésio às 10:38
 
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