Segunda-feira, 13 de Janeiro de 2014

 

Como Soromenho Marques escreve (DN, de 12-1-2014)

".... Há vinte anos, o CDS-PP tinha propostas nítidas. Poderia não se gostar, mas era um partido conservador com pensamento próprio. Foi a substância das ideias que levou ao afastamento, em 1992, do seu fundador, Freitas do Amaral, num voto pelo Tratado de Maastricht, que a crise atual revela ter sido mais ditado pela "convicção" do que pela razão. Em 1994, Portas juntava a sua voz na crítica aos riscos para o País da UEM (tal como o fez também o PCP, e vozes atentas como as de João Ferreira do Amaral). Nessa altura, o CDS era um partido sem poder, mas com uma visão para o futuro de Portugal. Numa estranha versão "burguesa" do culto estalinista da personalidade, hoje o CDS é um partido de poder, mas esvaziado de futuro."

 

Concordo e testemunho.

Na madrugada de 21 de Março de 1992, no Hotel Altis, o ambiente estava de cortar à faca.

Ao X Congresso do CDS tinham-se perfilado três candidatos à sucessão de Adriano Moreira: António Lobo Xavier, Basílio Horta e Manuel Monteiro, um jovem com menos de 30 anos. Três ideias substantivas apresentavam-se a votos. Um setor liberal, um setor demo-cristão e por ultimo uma linha conservadora eram as opções.

A maioria dos militantes apostava na vitória de Horta (na altura este monge denominava tal fação de socialismo cristão, sem desprimor, porque era a verdade histórica, não havendo pois incoerência nas vias tomadas por F. do Amaral ou Basílio Horta). Do lado conservador, o combate vinha da Juventude Centrista, onde este monge passeava, e do setor ligado ao jornal "Independente".

Adriano Moreira discursa perante um silêncio monástico.

Manuel Monteiro ganha. Nasce o Partido Popular. 

A Direita aparecia na Democracia representativa após 18 anos de meias-palavras.

 

Num povo maioritariamente confiante num Estado-Dá-Tudo, na inveja de quem tem ou de quem vale, que importará os 4,4% ou o táxi? O combate é para continuar e é a longo prazo.

Os setores da burocracia estatizante europeia expulsarão ano após o cds do Partido Popular Europeu, fiquei radiante na altura, Maastricht (que o tuga cidadão nem sabia o que era...nem se discutia a não ser novela, esmola estatal, maneira de "dar-a-buôlta" e FCP) era combatido com vigor, o Estado Social cavaquista era odiado, em suma, pensava-se, degladiavam-se  projetos de politica, estudava-se argumentava-se ...;

A pacotilha jornalística aqui do burgo enfeudada nos empresários ligados ao poder trataram logo de denominar a "deriva" do cds pela extrema-direita para a iliteracia reinante recear;

 

Portas veio fazer as pazes com a Europa. Ganha o partido. Mas mantinha-se a via conservadora.

Falido o Estado, Portas vira-se para a democracia-cristã mais recetiva no eleitorado parolo e que quer coisinha do Estado e agora amuou.

 

O que vi em Oliveira do Bairro foi o fim de uma era; a linha vencedora navega à vista. É-se demo-cristão quando o Povo roga a Deus pela tormenta, é-se liberal quando os empresários desbastam o capital que não é seu e conservador quando se imagina o país rico.

 

Sem ideia, sem doutrina (a não ser uns clichés)...não se diz futuro.

 



publicado por monge silésio às 13:18
 
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