Domingo, 20 de Outubro de 2013

"
A primeira moeda de reserva foi a libra esterlina britânica. Porque a libra era tão "boa quanto o ouro", muitos países consideraram, durante a era do padrão-ouro, que seria mais conveniente deter libras em vez do próprio ouro.

(...) Perto do fim da II Guerra Mundial, foi atribuído ao dólar dos EUA esse estatuto através de um tratado internacional, na sequência do Acordo de Bretton Woods.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) foi formado com o expresso propósito de monitorizar o compromisso da Reserva Federal para com Bretton Woods assegurando que o Fed não inflacionaria o dólar e respeitaria o compromisso de trocar dólares por ouro ao câmbio de 35 dólares americanos por onça.
Desta forma, os países confiavam que os dólares que detinham para fins comerciais eram tão "bons quanto o ouro", como tinha ocorrido em tempos com a libra esterlina.
Todavia, o Fed não manteve o seu compromisso para com o Acordo de Bretton Woods e o FMI não tentou forçá-lo a deter o ouro suficiente para honrar, em ouro, toda a sua moeda em circulação, ao câmbio de 35 dólares por onça. O Fed foi testado nos finais da década de 1960, primeiro pela França e depois por outros países, até que as suas reservas de ouro atingiram níveis tão baixos que só lhe restavam duas alternativas: ou revalorizar o dólar a uma taxa de câmbio mais alta, ou revogar as suas responsabilidades quanto a honrar a troca, integral, de dólares por ouro. Para sua vergonha eterna, os EUA escolheram a última opção e "saíram do padrão-ouro" em Setembro de 1971.
Não obstante, o dólar continuou a ser utilizado pelas grandes nações comerciais, porque ainda executava a função útil de meio de pagamento no comércio internacional. Não havia outra moeda que pudesse ombrear com o dólar, apesar do facto de ele ter sido "desligado" do ouro.
Há duas características numa moeda que a tornam útil no comércio internacional: uma primeira, é ela própria ser emitida por uma grande nação comercial, e, a segunda, que a moeda mantenha o seu valor relativamente às demais commodities ao longo do tempo. Estes dois factores criam uma procura para deter uma moeda como reserva.
Embora o dólar estivesse sendo inflacionado pelo Fed, desta forma perdendo valor relativamente às outras commodities ao longo do tempo, o facto é que não havia nenhuma competição real.
Hoje estamos a assistir ao início de uma mudança.
O Fed tem vindo a inflacionar o dólar massivamente (imprime moeda), reduzindo o seu poder de compra em relação às demais commodities, levando muitas das maiores nações comerciais do mundo a usar outras moedas em algumas ocasiões.
O dólar sujeita-se a perder a sua ostensiva posição de moeda de reserva quando o primeiro grande país interveniente no comércio internacional pare de inflacionar a sua moeda. A China aumentou as suas reservas de ouro e instituiu controlos para evitar que saia ouro da China. Caso a segunda maior economia do mundo e uma das maiores nações comerciais do mundo estabeleça uma ligação entre a sua moeda e o ouro, a procura de yuan irá aumentar e a procura de dólares diminuir. Xeque-mate.
Em termos práticos, isto significa que as maiores nações comerciais do mundo iriam reduzir as suas posições em dólares, e os dólares mantidos no exterior iriam fluir de volta à economia dos EUA, provocando a subida dos preços. Em quanto aumentariam? É difícil dizer, mas tenhamos em mente que existe uma quantidade de dólares fora dos EUA igual à que existe dentro dos EUA. "
A bomba está muito próxima do estouro. Adiou-se o problema. Chama-se dólar.


publicado por monge silésio às 20:21
 
Outubro 2013
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11

13
14
15
16
18
19

21
22
23

29
30
31