Quarta-feira, 20 de Março de 2013

"...

A demagogia mais perigosa encontra--se em outras paragens, e é especialmente nociva quando é dirigida a um eleitorado particularmente pouco preparado para a detectar, como é o português.

Julgo que esta falta de preparação em Portugal decorre de dois efeitos. Em primeiro lugar, do atraso na alfabetização, que só chegou verdadeiramente em meados do século xx. Em segundo lugar, da falta de cultura científica e de apreço pelo rigor, que Eça de Queiroz já salientou em “Os Maias”, na voz do avô do protagonista: a “mania [dos portugueses] é fazer belas frases, ver-lhes o brilho, sentir-lhes a música. Se for necessário falsear a ideia, deixá-la incompleta, exagerá-la, para a frase ganhar em beleza, o desgraçado não hesita... Vá-se pela água a baixo o pensamento, mas salve-se a bela frase”.

Um certo tipo de demagogia é a defesa de objectivos óbvios, sem entrar em detalhes sobre os instrumentos necessários - e possíveis - para alcançar aqueles objectivos. Hoje há muita gente que é a favor do crescimento e do emprego, como se houvesse alguém que fosse a favor da recessão e do desemprego. Infelizmente, muitos portugueses param aqui e ficam logo satisfeitos, como se isto fosse algum programa político. Dizer que se é a favor do crescimento económico vale tanto como afirmar que se é a favor da felicidade ou como defender que se deve achar a cura para o cancro.

..."

 

Os juristas diriam ... "factos conclusivos"... 



publicado por monge silésio às 16:10
 
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