Domingo, 20 de Janeiro de 2013

 

Num encontro que tive com pessoa de cabelos brancos e uma meia dúzia de décadas de vida, a reflexão que se segue veio de forma imediata, clara, cheia de luz, atenta a evidência da factualidade que a suporta.

Anos que medito nisto, mas infelizmente para alguns seres humanos bem encostados e pouco dados ao pensamento isto não era claro.

O ser que me caiu no presente do encontro referido trabalhou nas Lajes. Tem histórias maravilhosas, algumas dos idos anos de 70 e que fazia estremecer de vergonha muitas das ideias que pululam na feira de vaidades históricas deste País nomeadamente no campo da omissão. Deixá-lo. Agora tristonho pois o seu referencial de vida irá desaparecer ou pelo menos de diminuta importância existir.

 

Chame-se o que se quiser mas militar e económico coexistem.

O crescimento chinês, coreano, malaio, ultrapassando o japonês fez com que nos idos anos 90, com a alteração dos acordos do GATT, o económico se virasse para o Pacífico, deixando o Atlântico de 500 anos de império.

 

Cada vez mais o comércio mundial se centra na Ásia e menos na Europa.

Em 2002 existiam 3 portos europeus e 1 americano entre os 10 maiores do Mundo. Hoje existe apenas 1 porto europeu nesse top10: Roterdão, e em 10º lugar. Factos que significam.

Nos EUA, os portos com mais trâfego localizam-se na costa do Pacífico e não no Atlântico.

A Europa, que foi o centro económico, político e comercial do Mundo durante vários séculos passou agora para a periferia de um mundo cada vez mais centrado na Ásia e no Pacífico.

As evoluções demográfica e económica recentes só tenderão a reforçar este efeito.

 

Ao nível de estados com pouco poderio militar, muitos fizeram o trabalho de casa.

Tiveram políticos à altura dos tempos.

Bem sei que sou chato por repetir mas as evidências não escondem o que já era evidente há 20 anos: Singapura e Coreia do Sul fizeram trabalho de casa de décadas.

Baixaram custos laborais e fiscais. Têm taxas fiscais mínimas, trabalha-se com gosto porque se sabe que não há "assaltos" governamentais, nem tiranetes "legais" a enfiarnos ideias tolas seguindo-se uma política de sociedade civil forte com mínima tirania.

As Lajes deixaram pois de ter interesse...a Europa burocrática, "social", palavrosa, continua... A Guerra aqui não terá interesse (P.S.: as guerras têm também "rankings"...a da África Ocidental (Mali, Mauritânia) só tem interesse agora porque a Argélia é o 4º maior produtor de gás natural; acaso pereceberam o que se passou na Mauritânia em Agosto de 2007?).

E aqui discute-se 4 mil milhões de corte no Estado-rebuçado. "Peanuts". Nem com 15 mil milhões...e esta é a verdade que não se diz porque cria "tristeza" nas "pexoas".

 Aqui a celeuma, as "Constanças" do quotidiano, em hora de ceia e de recolhimento, a gritar contra o nada e o óbvio, nada dizendo (porque não sabe) de alternativo..o T´Zé a parecer-se com o Ricardo Araújo Pereira nas suas múltiplas personagens, o "boy" do Parlamento a rir-se quando o outro "boy" fala, e caretas, e palmas, e ginástica sueca para a votação, ...santa comédia! Já não bastava a gente tosca (bem falante para a maioria), parola (em traje de gala a ajustar com o négligé pseudo-informal) que nos vai sendo colocada no poder por uma sociedade civil acrítica, pouco dada ao esforço mental.

Os EUA, sem serviço da outrora palavra, encostados a um governante que bem podia estar numa comunidade rural do Montana a dar milho às pombas mas  sem solução para a bancarrota iminente, definham.

O que a Igualdade (do dizer, do fazer) faz aos Homens!

 

Meu Caro, M.C., a vida é isto mesmo! Nas Lajes, como em Lisboa, ou em Paris.

 



publicado por monge silésio às 13:57
 
Janeiro 2013
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

15
18

21
22
23
25
26

27
29
30
31