Sábado, 22 de Dezembro de 2012

 

1.

Ontem, assisti com tristeza ao rosário debitado na assembleia do povo de dezenas de topónimos, lugarejos, enfim locais que recebem o nome legal de freguesias. Fusão ou lá o que chamam (as tais moscas…). Aquelas almas, naquele lugarejo que já causou a falência do país por três vezes, estendiam o braço monocordicamente. Alguns, os hipócritas, abstinham-se quando eram referidos os locais deles ou próximos. Que diabo, participavam no assassínio de outros lugarejos mas …o deles…abstinham-se. Há gente que não sabe o que é ser deputado. Aquelas almas elevaram a sua circunstância ao voto. Eu não votei em “x” por ser do distrito de Aveiro (a maioria não era…), votei num partido, numa doutrina, numa convicção aliada à minha mundividência do mundo que quero ver para todos…mas aquelas alminhas desabotoadas de espírito, encaixadas numa verborreia de fazer dó lá estendiam o braço enquanto mascavam a pastilha elástica qual fedelho em plena missa sem pais ou vizinhos que não sabem nada de Administração do Tabefe (curso que ainda não foi extinto porque para mal dos nossas gerações futuras não existe).

 

2.

O mais fácil. O mais fácil é juntar organismos de competências limitadas … mas com alma de coesão muito forte.  Somos da freguesia, não somos da tiririquice volátil de vila/comarca/cidade/câmara, ao gosto do “espertalhão” arrumado em S. Bento (perdoe-se-me o santo!). Somos fregueses de algo numa comunidade de memória, acções significativas  escolhidas e repetidas (tradições), e estamos localizados em algo com que nos identificamos. É a freguesia o núcleo da localidade no ser participativo. O mais fácil. Câmaras, deleitosamente alcunhadas de municípios, ficam para a horda ir lá de bicha e cartão na mão fazer a vénia a meia-dúzia daqueles cujas mães não têm culpa (ou se a têm, não é para aqui chamada) e destroem o tecido nacional porque brincam ao “business” com empreiteiros, impulsionam actividades “culturais” de fazer dó nas Cerci´s, escolhem amizades naquilo que chamam política mas nada mais é que o grupelho em que estão encaixados sem sombra de convicção sobre o assunto. O ano 2013 vai ter dessa lengalenga porque não há povo para dizer “basta” pois é o mesmo povo que conduz à repetição da bancarrota. Já há muito não participo nessa brincadeira de mau gosto (como sei que muitos), e a última vez votei na freguesia só (na década de 90), tendo obviamente inutilizado os outros bilhetes que me entregaram. Votei num homem, num homem bom, num homem de sangue e pulso, capaz de os mostrar a algum tiranete, um homem de ideias e convicções sobre a Humanidade (que não são as minhas), e que por elas sofreu 6 anos numa masmorra que o Estado-da-Altura o encaminhava por pensar. Votei porque, conhecendo as competências do órgão sob eleição, sabia que o partido era só um quadrado a colocar uma cruz. Votei porque era um símbolo de uma comunidade que seja à esquerda seja à direita (que muitos gostam de esquecer). Mas regressemos: foi feito o mais fácil. É sempre o mais fácil que a Tirania escolhe para a populaça distraída se deleitar a conversar.

 

3.

Se substituíssem as actuais câmaras pelas capitais de distrito, mantivessem as freguesias, a reforma do Poder Local seria mais eficiente, limpando o pó de dezenas que aqui e ali se banam, dizendo “trabalham”. Abanam porque não há nada para trabalhar, bastando ler as competências municipais e os dias de hoje (a internet p. ex.) para se perceber que aquela gente faz menos que o coitado do pombo-correio ou do equídeo quando há décadas ainda transportava papelada daqui para ali e para acolá. Abanam-se no meio de favores, invejazinhas vicinais com prejuízo para o contribuinte, ...abanam-se mostrando os dentes de ressabiada e grotesca experiência do poder, pondo graxa na alma daquele que muda ou não a tempos mas que...enfeudado em interesses vai engordando a alma daqueles que lhe vão dando importância. Salvo uma dezena de excepções, os municipios portugueses participaram na desgraça que hoje vemos; só que agora, não há dinheiro, e nada pode ficar na mesma. A extinção de algumas freguesias foi um corte na memória, na justa participação directa para além dos interesses, a extinção de mais de duas centenas de municípios eram um corte na vilania reinante. 



publicado por monge silésio às 15:57
 
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