Sábado, 01 de Dezembro de 2012

1.- Em itálico, palavras minhas

(…)

- Tenho aqui algumas perguntas, Mr. Grey.

Coloquei uma madeixa errante atrás da orelha.

- Foi o que assumi – disse ele, sem expressão. (…numa entrevista a pessoas ocupadas…)

Estava a fazer pouco de mim. Senti a cara a ficar quente e sentei-me melhor, endireitei os ombros na tentativa de parecer mais alta e mais intimidante (…uau, para?!!). Carreguei no botão do gravador e tentei assumir um ar profissional.

- É muito jovem e, no entanto, já construiu um império enorme. A que deve o seu sucesso?

Olhei para cima, para ele. Fez um sorriso grave, mas pareceu ligeiramente desiludido.

- Fazer negócios é lidar com pessoas, e eu sou muito bom a avaliar pessoas. Sei o que as estimula, o que as faz florescer e o que não faz, o que as inspira e como as incentivar. Emprego uma equipa excecional e recompenso-os bem.

Fez uma pausa e fixou-me com aquele olhar cor de cinza.

- É minha convicção que, para se ter sucesso...(...)

(sete linhas (!!)banalidades como trabalho muito e tal, tomo decisões baseadas na lógica e nos factos. Tenho um instint…se tivesses decidido opinar, avaliar e comentar o mundo era “difícil”, assim como difícil decidir nessas premissas…até ouço aqui uma mosca que me incomoda, tamanha atenção isto me dá, lógica é algo muito preciso no mundo de hoje...obviamente os factos, mas estes demoram muito por ser preciso...saber)

-Talvez seja apenas uma questão de sorte.

Aquilo não estava na lista de Kate; mas ele era tão arrogante. Os olhos dele incendiaram-se momentaneamente de surpresa.

- Não me guio pela sorte nem pelo destino, Miss Steele. Quanto mais trabalho, mais a minha sorte parece aumentar. (…mais banalidade pessoas certas energias citação de um Harvey Firestone e o empregado entrega-me tremoços, adivinhando o meu estado de saúde mental)

- Parece um maníaco do controlo.

As palavras saíram-me pela boca antes de eu conseguir detê-las. (menina pechisbeque a “conversar” com o multimilionário…)

- Oh, exerço controlo sobre todas as coisas, Miss Steele – respondeu, sem o mínimo vestígio de humor no sorriso. (obviamente a menina entrevistadora pensa que as coisas aparecem às terças ou sextas à hora de jantar)

(…)

-Emprego mais de quarenta mil pessoas, Miss Steele. Isso confere-me um certo sentido de responsabilidade; poder, se desejar. Se eu resolvesse decidir que já não estava interessado no negócio das telecomunicações, e vendesse, passado um mês ou pouco mais, vinte mil pessoas ver-se-iam em apuros para pagar o empréstimo das suas casas.

A minha boca abriu-se. Fiquei desconcertada com aquela falta de humildade.

- Não tem de responder perante nenhum conselho de administração? – perguntei, indignada. (o catraio do bairro de Lomé espantar-se-ia era com a capacidade da entrevistadora)

- A companhia pertence-me. Não tenho de responder perante conselho nenhum.(…não existe, …repetir não existe conselho, …)

Mostrou-me uma sobrancelha erguida. Pois claro, era algo que eu saberia se tivesse pesquisado alguma coisa. Fogo, o homem era mesmo arrogante. Mudei de rumo.

…”

 

O entrevistado é um tipo rico.

A entrevistadora, confessadamente incapaz no discurso, e incapaz de imparcialidade opinativa, modela-o ao seu vazio. Acaso o tipo dissesse,  “aprendi muito com todos; ali, o Johnny que me entrega o Daily, ensinou-me a cumprimentar em húngaro para me dirigir a Frida, e a Frida, minha secretária, ajuda-me a decidir em momentos de grande pressão…bla bla”,  seria humildade no juízo sempre presente da entrevistadora? Ou, para o espectador desinteressado, pura e simplesmente mentira. Pois, no discurso moderno a mentira é fundamental. Dar mentiras, a torto e a direito. Caso contrário, leva-se com o “arrogante” ou o mal-educado…É arrogante dizer o que se deve fazer ou o que se tem…É arrgante dizer o que existe.



publicado por monge silésio às 14:34
 
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