Domingo, 14 de Outubro de 2012

 

 

1. Há livros que irritam. Este é um deles. Os autores declaram, em síntese, que o estudante de sucesso pode ser também aquele que vai para a “noitada”, …e "faz" as cadeiras. De modo “meteórico”. Como?, de modo elogiadamente chico-espertista. No fundo, é transportar para o “estudante”, aquilo que já vimos na política.

  

2. Sob uma forma gráfica para ser observado por quem tenha uma visão além das três dioptrias e a olho nu, o livro tem por base a ideia de que o conhecimento é algo para ser percecionado de forma útil. Estudar para aprovar, tão só. Ora, um conhecimento formado no “que se vai passar na aula” e no “teste” é básico, pois todo o espírito de curiosidade e todo o espírito de margem é extinto. Curiosidade para derivar a partir de um dado, um outro dado de uma disciplina diversa que no momento inútil; espírito de margem para perceber “ambientes”, “espaços”, “topografias” e “limitações” do conhecimento.

 

3. O divertimento não é razão inversa de sucesso escolar. Sucesso escolar entendido como profundidade e como saber e conhecer, não como …”deu para passar”. Há inúmeros casos de excelência aliados à “boémia” estudantil. Mas deixando de lado o relativismo (há boémios que nada fizeram após o curso como o contrário), a questão crucial é: e conhecer para saber mais, e conhecer mais para saber, e mais saber conhecendo não é em si mesmo uma “boémia” mais esclarecida? Há prazeres que aliados à consciência da razão das coisas são argumentos para colmatar o maior inimigo do prazer, a sua finitude. É essa razão das coisas que este livro não percebe e afasta.

 

4. Eis pois um incentivo descritivo à mediocridade.

 

5. Boémia, o encontro, a caldeira da floresta, a terceira mesa do bar, a fêmea visivelmente curvilínea, equação?, o dia seguinte, esquecimento, episódio. Conhecimento, a dimensão poética de Ovídeo no percurso de sedução, a sua descrição de "perfis" femininos, os estádios de Vātsyāyana, a clareza das descrições de G. Apollinaire e um sentir, conhecendo, epidérmico. Sabedoria, o "momento" de infinito, a "nesga" de nunca acabar.

 

6. Não é "boémia" mais humana?



publicado por monge silésio às 14:51
 
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