Sábado, 29 de Setembro de 2012

Importa ler. Se vamos por aquilo que um bando de diplomados da “nova-era” dizem ...

 

Quanto à Alemanha. E após a decisão do Tribunal Constitucional alemão.

 

As condições da tão propalada "abertura" do B.C.E. foram:

  • Um país membro da zona do euro que queira recorrer ao BCE para que este compre seus títulos no mercado secundário — ou seja, quando os títulos estão em posse do sistema bancário — terá de fazer um pedido escrito, não basta só "falar,dizer" (a palavra do político vale zero na banca internacional neste momento).  Naturalmente, tal requerimento público trará custos políticos, constrangimento, desconfiança e até mesmo uma mácula para o governo em questão.  Considerando-se que os preços de ativos, como ações e títulos públicos, são influenciados pela percepção, tal pressão irá dissuadir vários países de recorrerem a esta medida.
  • Todo e qualquer país requerente terá de concordar em apresentar uma redução nos seus déficits e um completo programa de reestruturação económica, ambos os quais provavelmente virão acompanhados de grandes custos políticos e uma grande dose de turbulência económica no curto prazo.
  • O BCE irá comprar títulos no mercado secundário para ajudar países problemáticos somente se o Fundo Europeu de Estabilização Financeira e o Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira, ambos os quais estão bastante carentes de recursos, se comprometerem a atuar em conjunto e utilizar os seus fundos na operação.  O Bundesbank há muito tempo que afirma que o BCE não deve ter carta branca para abusar de seu poder de criar dinheiro artificial.  Sempre que isso for feito, os custos serão espalhados para o resto da Europa e também para o resto do mundo através do FMI.
  • O apoio do BCE será limitado à compra de títulos com vencimento máximo de três anos.  Desnecessário será dizer que nenhum membro problemático da zona do euro conseguirá resolver seu problema de endividamento excessivo caso se limite a tomar continuamente empréstimos de curto prazo na esperança de que esta ação do BCE irá ajudá-lo.
  • Todas as compras de títulos realizadas pelo BCE serão executadas exclusivamente no mercado secundário, desta forma realizando o objetivo alemão de fazer com que o BCE não permita que um país seja compulsoriamente obrigado a financiar diretamente qualquer outro membro da zona do euro.

Enquanto vários comentaristas económicos conjeturaram que a Alemanha havia finalmente cedido às demandas queinesianas de dinheiro fácil e barato de seus países vizinhos ("dinheiro para cima dos desejos/direitos" bem ao gosto dos partidos-fada-do-lar ou Xoxiais-cál-quer-cóisinha), a realidade parece indicar o contrário: a Alemanha foi especialmente bem-sucedida em impor sua vontade financeira ao resto da zona do euro.



Estas substanciais e importantes concessões feitas à Alemanha passaram amplamente despercebidas pela “opinião pública”, mas depressa irão ser percecionadas no bolso de qualquer europeu.

 



publicado por monge silésio às 10:00
 
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