Domingo, 28 de Outubro de 2012

1.-  O orçamento é o possível.

 

2.-  Espanta-me a qualidade dos nossos tiranos perante a estupefação com que muitos debitam. Era tudo imprevisível? A demografia indicava em 2001 o quê? A redução da capacidade industrial e agrícola portuguesa verificada na década de 90 significava o quê? A perda de riqueza anual impõe o quê? Da redução do consumo privado conclui-se o quê num país como o nosso?

 

3.- Vale a pena falar do passado. Vale sempre. Por duas razões. A primeira mostra a nossa capacidade em eleger bobos da corte de forma repetida nos últimos cem anos (o simpático, o jeitoso, fala-bem, o-que-promete-mais, o “professor”). A segunda mostra a iliteracia reinante e crescente apesar do analfabetismo decrescente (o que impõe uma outra conclusão: aprende-se o que não interessa). A democracia exige aristocracia dos seus membros.

 

4.- Espanta-me uma sociedade civil atrasada no ser, invejando o melhor ter. Espanta-me as larachas constantes e repetidas para serem feitas verdade absoluta e indiscutíveis. Espanta-me a má-fé dos intelectuais que esta sociedade lusitana criou. Espanta-me a falta de noção de trabalho e de serviço daqueles que vão para um cargo público. Espanta-me a ideia de “vidinha em linha recta e ascendente”, um dos últimos resquícios de uma teologia mágica e do planeta Tan-Tan.

 

5.- Espanta-me a ideia assente e imposta, agora evidentemente (para poucos) colocada em crise, segundo a qual a vida é de borla, e os outros (Estado, empresa, família, associação civil) têm deveres e cada sujeito tem direitos.



publicado por monge silésio às 10:44
Domingo, 28 de Outubro de 2012

 

1.- Cada vez que ouço a conversa do “já viu como ficam as pessoas!?”, o asco sobe-me aos neurónios. Não foram “as pessoas” que davam o voto a quem dava mais rebuçado? Não foram as “pessoas” que agradeciam ao “politico” local ou nacional a “obra” feita? A cultura cívica ou política é para os outros estudarem? Não. Todos somos chamados no voto a fazer escolhas daquilo que pensamos como deve a sociedade ser organizada. É certo que o pensamento único dos últimos 40 anos, e sobretudo entre os juristas, teve como efeito a ideia praticamente sem contestação segundo a qual o Estado dador é-o até não-se-sabe-onde. Percebe-se agora na pele o erro. E isto não acabou, nem de longe nem de perto. Os “programas oficiais” das matérias dos cursos seja no secundário ou no universitário iam no sentido do Estado bombeiro sem sombra de fadiga, com recursos em Júpiter mas capaz de os ir buscar. Seja na Economia, seja no Direito, seja o leigo ou menos iletrado nestas coisas eleito no bairro ou no distrito não se apercebeu disto. E muitos ainda não percebem.

 

2.- A estrada que passa perto do seu quintal foi feita com dinheiro…seu ou de estrangeiros a quem pedíamos emprestado. Não se deveu à boa graça do tiranete local. A escolaridade em todo o lado e para todas as idades e bolsas foi realizada com dinheiro…seu ou de estrangeiros a quem pedíamos emprestado. Não se deveu à generosidade do “Sinhô” Ministro. O hospital ou o “metro” foi feito com dinheiro seu …ou de estrangeiros a quem pedíamos emprestado. E quando é que pedíamos emprestado? Quando não havia dinheiro, …e quando é? Quando não houve suficientes impostos, isto é, quando os contribuintes não chegam para custear os “rebuçados”. E quando não chegam os contribuintes? É porque se trabalha pouco para o desejo que temos. Não há palhaços, ou bombocas.

 

3.- Se a Constituição diz …diz. Mas se não houver dinheiro, a Constituição diz para se fazer com o que há, dando indicações de prioridades. A norma jurídica qua tale não versa na sua previsão a utopia. Rege homens, coisas. Obviamente que entre a saúde, a educação ou a segurança social temos um conflito atenta a igualdade de prioridade. Se assim é, como é, é o jurista que tem que assumir o papel do “seu tempo”. A “concordância prática” entre direitos, a proporcionalidade dos sacrifícios (como foram dos benefícios), a adequação do texto, não ao ideológico com que foi construída, mas ao real criador, tudo sintagmas a serem ampliados na tarefa hermenêutica. Na história do Direito, foi na crise que se deram os maiores rasgos jurídicos da História. Onde estão os juristas “deste” tempo?

 

4.- Chega-se às funções do Estado. Eis pois o desafio óbvio e que há muito devia ser feito se os partidos fossem verdadeiros com o seu ser. A sociedade que acabou é social-democrata. O termo usado é o que se usa em Bergen, Marselha ou em Innsbruck. Mas neste país ambos partidos sociais-democratas governaram o país por 37 anos…logo nunca houve discussão. Porque não podia haver. Pois o assunto era o mesmo na solução, com pós ali ou acolá, e a iliteracia de elite do burgo fazia criar a ilusão de grandes diferenças. Agora vai ser discutido à força:

 

a) Temos contribuintes para suportar a escolaridade obrigatória? Temos contribuintes para ter o número de professores que temos? Temos contribuintes para suportar a universidade pública? Temos contribuintes para suportar dezenas de licenciaturas sem mercado em Portugal?

 

b) Temos contribuintes para suportar os hospitais que temos? Temos contribuintes para dar os benefícios gratuitos e universais (médicos, material e medicamentos custam dinheiro…ao contribuinte, não é bondade do tirano)?

 

c) Temos contribuintes para dar prestações sociais por virtude de doença ou despedimento?

 

E se nada disto for possível pagar? Toca-se no essencial. Assim:

 

d) Temos contribuintes para ter os polícias que temos?

 

e) Temos contribuintes para ter os tribunais que temos?

 

f) Temos contribuintes para ter … as Forças Armadas?

 

 Se quiserem tudo isto, a questão é:

E que tal taxarem a 80% ou mais?...mesmo assim não chegaria. A demografia não perdoa. É um facto puro.



publicado por monge silésio às 00:21
Sexta-feira, 26 de Outubro de 2012

 

(...)

Lemos centenas, milhares, de livros e artigos de filosofia, de história, de sociologia, de ciência política, até de crítica literária – para não falar dos que chegam do lado das ciências da natureza ou do direito – e raramente encontramos exemplos nos quais a harmonia do texto, a precisão e a sedução da narrativa, condições essenciais para segurar e para viciar o leitor, se mostrem de uma forma equilibrada. Mas quando isso acontece o autor de não-ficção sai do seu pequeno mundo «especializado» e oferece-se ao interesse de um público muito mais vasto e menos circunstancial. Transforma-se então, por direito próprio, num escritor.

http://aterceiranoite.org/2012/10/21/o-nao-ficcionista/



publicado por monge silésio às 00:08
Quarta-feira, 17 de Outubro de 2012

 

  1. ...by the fact that Western Europe has been increasingly surpassed in rates of economic growth by some of the Pacific countries, such as Japan, Hong Kong, Singapore, and Malaysia; and that the latter, in adopting a relatively more capitalist course, have meanwhile achieved a much higher standard of living than socialistically inclined countries which started at about the same time with roughly the same basis of economic development, such as India.

  2. Coming then to more specific observations, there are the recent experiences of Portugal, where in 1974 the autocratic Salazar regime of conservative socialism (on this type of socialism see the following chapter), which had kept Portugal one of the poorest countries in Europe, was supplanted in an upheaval by redistributive socialism (with elements of nationalization) and where since then the standard of living has fallen even further, literally turning the country into a third world region.

 


publicado por monge silésio às 20:48
Quarta-feira, 17 de Outubro de 2012

 

Este momento significa o OE2013. E a coesão nacional?

 

 


publicado por monge silésio às 15:27
Domingo, 14 de Outubro de 2012

 

 

1. Há livros que irritam. Este é um deles. Os autores declaram, em síntese, que o estudante de sucesso pode ser também aquele que vai para a “noitada”, …e "faz" as cadeiras. De modo “meteórico”. Como?, de modo elogiadamente chico-espertista. No fundo, é transportar para o “estudante”, aquilo que já vimos na política.

  

2. Sob uma forma gráfica para ser observado por quem tenha uma visão além das três dioptrias e a olho nu, o livro tem por base a ideia de que o conhecimento é algo para ser percecionado de forma útil. Estudar para aprovar, tão só. Ora, um conhecimento formado no “que se vai passar na aula” e no “teste” é básico, pois todo o espírito de curiosidade e todo o espírito de margem é extinto. Curiosidade para derivar a partir de um dado, um outro dado de uma disciplina diversa que no momento inútil; espírito de margem para perceber “ambientes”, “espaços”, “topografias” e “limitações” do conhecimento.

 

3. O divertimento não é razão inversa de sucesso escolar. Sucesso escolar entendido como profundidade e como saber e conhecer, não como …”deu para passar”. Há inúmeros casos de excelência aliados à “boémia” estudantil. Mas deixando de lado o relativismo (há boémios que nada fizeram após o curso como o contrário), a questão crucial é: e conhecer para saber mais, e conhecer mais para saber, e mais saber conhecendo não é em si mesmo uma “boémia” mais esclarecida? Há prazeres que aliados à consciência da razão das coisas são argumentos para colmatar o maior inimigo do prazer, a sua finitude. É essa razão das coisas que este livro não percebe e afasta.

 

4. Eis pois um incentivo descritivo à mediocridade.

 

5. Boémia, o encontro, a caldeira da floresta, a terceira mesa do bar, a fêmea visivelmente curvilínea, equação?, o dia seguinte, esquecimento, episódio. Conhecimento, a dimensão poética de Ovídeo no percurso de sedução, a sua descrição de "perfis" femininos, os estádios de Vātsyāyana, a clareza das descrições de G. Apollinaire e um sentir, conhecendo, epidérmico. Sabedoria, o "momento" de infinito, a "nesga" de nunca acabar.

 

6. Não é "boémia" mais humana?



publicado por monge silésio às 14:51
Quarta-feira, 10 de Outubro de 2012

Tudo abaixo de 50 000 euros anuais é a varrer de impostos diretos...foi a massa humana que outrora conseguimos com...dinheiro emprestado.

 

Os que recebem rendas abaixo de 150 euros (com telhados quase a caír...porque são cultores do surrealismo estético) é a varrer de impostos diretos sob aumentos de 200%. (lá para os lingras devem ser uns tipos que têm sede em Gibraltar...ou coisa que o valha, nos meados da década de 90 bem avisei alguns para verem menos cinema americano...)



publicado por monge silésio às 23:06
Quarta-feira, 10 de Outubro de 2012

 

Há umas cantilenas que se ouvem dizer que são simplórias e pretendem por vezes desviar o debate.

 

1.- "Gastou demais, pois comprou casa". ERRADO.

Se não fosse a política de arrendamento social"ista" ou a anterior salazarenta...o mercado do arrendamento criaria mais ...arrendamento. Não foi assim. Bastava olhar para a legislação e perceber que só um senhorio louco punha algo seu ao serviço da ... política estalinista do "direito à habitação" e que era o pensamento maioritário e quase indiscutível (mesmo na direita paroquial) durante mais de meia dúzia de décadas!

A legislação do arrendamento havida foi a forma jurídica da inveja. Uns capitalistas do caraças teriam de suportar indefinidamente inquilinos, sob rendas baixas, sob o mito do "direito à habitação". O DL de 1990, esse de Cavaco Silva, e que toda a esquerda o denominava de liberal (pois permitiu o arrendamento de 5 anos,(veja-se o primitivismo!!) fazia com que senhorios não arrendassem na mesma, pois mantinha o direito do inquilino a manter-se no locado décadas sob a mínima possibilidade de aumento de renda, e quando havia...eram migalhas;... Calava-se a populaça que chegava às cidades nos idos anos 90...sim, a populaça que veio servir nos "shoppings" e na construção civil e que ainda calos tinha da lavoura.

 

2.- O recurso ao crédito, seja ele qual for, é uma questão privada...tão só. O devedor dá garantia (hipoteca, fiança, penhor), dá confiança...o credor toma o risco. É simples, como na mercearia e onde haja fiado.

 

3.-A aspiração a viver melhor é legítima, pois dá riqueza a todos. Os privados procuram incrementar os seus rendimentos, criando valor, riqueza, e que suprem interesses, desejos, de todos. Só quando o Estado põe o nome de direitos...nos desejos...o caldo entorna.

 



publicado por monge silésio às 22:07
Quarta-feira, 10 de Outubro de 2012
Os banqueiros idiotas adoram os resgates governamentais. O mesmo acontece com os keynesianos. Os banqueiros idiotas abominam as consequências económicas negativas de decisões estúpidas. O mesmo acontece com os keynesianos. Os banqueiros idiotas adoram a inflação monetária que conduz a lucros bancários. O mesmo acontece com os keynesianos. Os banqueiros idiotas adoram governos nacionais suficientemente grandes para salvar os grandes bancos. O mesmo acontece com os keynesianos. Os banqueiros idiotas odeiam as corridas aos bancos. O mesmo acontece com os keynesianos. Os banqueiros idiotas querem o comando sem terem de arcar com as suas responsabilidades pessoais. O mesmo acontece com os keynesianos.

Paul Krugman é o principal porta-voz do keynesianismo no nosso tempo. Ele vê como sua a função de assegurar que os contribuintes socorram os grandes bancos multinacionais. Quando os contribuintes resistem, ele ridiculariza-os por terem vistas curtas.

Ele dissimula a sua posição de defensor dos interesses dos banqueiros falando em nome dos trabalhadores. Mas os grandes resgates bancários são a consequência inescapável das políticas que preconiza. Ele é o amigo dos banqueiros multinacionais. Tal como sucede com o seu colega de Princeton, Ben Bernanke.

Podemos ver isto no seu recente artigo [link] apelando ao governo alemão, ao Fundo Monetário Internacional e ao Banco Central Europeu para emprestarem mais dinheiro ao governo espanhol muito embora o governo se recuse a cortar na despesa.

Ele quer que a economia evite o custo de liquidar os empréstimos que vieram do Norte. Que deve haver ainda mais empréstimos ao estado para que possa haver mais pagamentos às pessoas desempregadas, que irão gastar o dinheiro e pôr a economia a "rolar". Em seguida, isto permitirá que os devedores espanhóis satisfaçam o pagamento dos juros aos bancos alemães.

Portanto, uma vez apanhados na armadilha dos maus empréstimos, os banqueiros devem fazer ainda mais maus empréstimos. Por que farão eles isso? Porque o governo alemão, o BCE e o FMI vão continuar a comprar títulos de dívida pública do estado espanhol.

Se isto soa como Bernanke e Paulson, em 2008, é porque foram eles que estabeleceram o padrão.

A Europa está entrando em recessão. Há uma contínua crise fiscal na Grécia, em Portugal e em Espanha, que é enorme.

A Alemanha entrou agora em recessão. A Grã-Bretanha, provavelmente, já lá entrou.

Krugman está consternado com as exigências do FMI, do BCE e dos políticos alemães segundo as quais a redução da despesa dos governos dos PIIGS deve ser uma condição para beneficiarem do auxílio do FMI e da Alemanha. Ele é um keynesiano. Ele odeia a ideia de austeridade, que significa austeridade para as burocracias estatais. Ele quer mais despesa por parte dos governos.



publicado por monge silésio às 17:48
Quarta-feira, 10 de Outubro de 2012

 

 
Publicação da Sonaecom avança com reestruturação. Dos 48 trabalhadores que serão dispensados 36 são jornalistas.


publicado por monge silésio às 17:41
 
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